junho 15, 2007
15 DE JUNHO: A TEMPORADA DE FURACÕES DO CARIBE ACABA DE COMEÇAR
Dia 15 de junho é o inicio oficial da temporada no Atlântico Norte. As previsões indicam uma temporada acima da média (65% a mais de chance de tempestade de categoria 5). Os dados nesta matéria são retirados das previsões do NOAA (National Oceanic e Atmospheric Administration) que é o órgão do governo americano que entre outras atribuições, nomeia as tempestades, desenvolve estatísticas desde 1944 ( desde 1960 por satélite) e desenvolve modelos para previsões dos meteorologistas. É inquestionável a sua capacidade de coleta de dados atmosféricos e oceânicos e ainda a sua capacidade de processar estes dados. No entanto existem alguns questionamentos quanto a sua imparcialidade na interpretação dos resultados das análises.
Por exemplo quanto ao Aquecimento Global: O NOAA insiste em afirmar que o aumento da duração e a maior freqüência de tempestades de força 5 na escala Zafir/Simpson nada tem há ver com o Aquecimento Global. Ora, todos estamos vendo as mudanças drásticas que estão ocorrendo no planeta e mesmo que eles tentem mascarar o resultado de suas predições será difícil esconder os resultados destrutivos de furacões, degelos, enchentes etc...
Por outro lado, políticos usam os resultados desta imensa instituição que é o NOAA para rechaçar pesquisas e propostas alternativas para a utilização de energias menos destrutivas que causassem menos efeitos no equilíbrio do planeta. Será que tem ai um dedo do capital movido a petróleo? Ora amigos todos os anos nós vemos a “Marlboro” ativar o seu lobby e argumentar em tribunais, na mídia e nas câmaras legislativas de todos os países do mundo que tabaco não faz tanto mal assim. Porém quem vai conseguir esconder as centenas de milhões de pessoas adoecendo pelo hábito do fumo? São nossos vizinhos, familiares, concidadãos e por fim nós mesmos que sofremos. E seremos nós os afetados pelas mudanças climáticas causadas pela queima descontrolada de combustíveis fósseis.
Muito bem, agora me diga qual a nação do planeta que além de ter a sua economia calcada na queima desses combustíveis, mantém a sua liderança justamente por isso? Pois é! A mesma que banca o NOAA e suas pesquisas. É o mesmo que deixar a raposa cuidar do galinheiro.
Bem, nós no Veleiro BALEEIRO, aqui no Caribe passamos as temporadas bem embaixo da rota de furacões . As nossas razões para não descer para baixo do paralelo 11 graus norte são diversas. Principalmente pelo fator trabalho. E outros milhões de pessoas fazem o mesmo simplesmente por viverem por aqui.
Se nós usamos a previsão do NOAA?
Sim claro que usamos !!!
Para ter a credibilidade de passar esses relatórios de longo prazo eles tem que pelo menos acertar a curto prazo e nisso não há dúvida que eles são os melhores.
Imagine a situação: Um furacão se aproxima da costa da Flórida, o NOAA diz que o furacão vai passar longe, ato continuo ele destrói a Flórida e mata centenas de pessoas. No dia seguinte de manhã estão todos demitidos e sobre processo penal.
Para navegar por estas águas durante principalmente os meses de agosto setembro e outubro precisa-se muita cautela e estar sempre atento a previsão. A tática é nunca estar mais de 12 horas de um “Huricane Hole” (abrigo com condições especiais) . Melhor ainda há 30 minutos de distância. Alguns deles são na verdade excelentes, outros no entanto deixam a desejar. Por exemplo, La Paraquita em Tortola - BVI. É uma pequena lagoa circundada de manguezais e poucas edificações ao seu redor. Com certeza as ondas não entram, o vento sim, mas como há pouco o que voar nas redondezas o risco de ter uma “Jacuzzi” pousando no seu “cockpit” pode ser descartado. Seria só caso de amarrar o barco de proa para o mangue jogar várias ancoras de popa e esperar pelo melhor. As chances seriam muito boas de sair sem nem um arranhão. Seriam, se não fosse os outros 200 barcos que vão aparecer de última hora. Apenas um arrastando as âncoras, vai pôr o resto das ancoras em efeito dominó.
O Lagoon de St Maarten dependendo da intensidade dos ventos também não presta. Em 1995 o furacão “Louis” subiu ondas de 5 metros dentro da lagoa. 1500 embarcações destruídas. Pilhas de barcos por todos os lados.
Existem em torno de 10 vagas que são ótimas dentro do Lagoon. Fica em Mullet Pond. São perfeitas!! Água funda numa pequena lagoa de mangue. O problema é que quando o primeiro aviso sai vc já tem que estar lá.
Em Antigua as opções são várias e as ancoragens mais vazias. Temos em Culebra um dos melhores em Ensenada Honda, Marigot em St Lucia, o mangue de Point a Pitre em Guadalupe, Ensenada em Porto Rico, Luperon Na Rep. Domenicana. Estes são só alguns exemplos.
Quanto mais se anda durante a temporada de vela mais vc vai pesquisando. Nós, sempre que podemos visitamos os “Hurricane Holes” e fazemos sondagens com o dingue, um prumo e desenhamos pequeno esquete e um rascunho com as melhores árvores para amarrar, o tipo de fundo as profundidades etc...
Apesar de não sermos os únicos a ficarmos por aqui durante a temporada, somos certamente uma exceção. Dos mais de 20 barcos de bandeira brasileira que vimos passar por aqui durante o inverno (verão do Brasil) a maioria seguiu para a Venezuela. Dentre os que desceram este ano estão:
* O Marcelo e a Maura do GARDIAN (sim, eles venderam o Beethoven). Já a 4 anos pelo Caribe, agora de barco novo...
* Junia e Sid a bordo do Catamaran ORION. Estes optaram por Trinidad. Os dois estiveram vários anos por aqui a bordo do seu próprio veleiro o VÔO LIVRE e agora vivem no Orion, de um proprietário brasileiro, num misto de muito trabalho para manter este Lagoon 47` e de aproveitar o Caribe
* Rodrigo, Márcia e filhos no CAVALO MARINHO que estão em La Cruz depois de subirem bem devagar até as Ilhas Virgens Britânicas (BVI)
* Valdo e Cláudia do JASMIM que acabaram de comprar um Beneteau 50` pela Sunsail e depois de um cruzeiro rápido de fim de estação desceram também para La Cruz.
* Sérgio, Eillen e Lucas do GUIZZI que vieram de Floripa e chegaram por aqui em fevereiro estão neste momento a caminho de Trinidad. O outro filho – Paul, embarcou para Europa trabalhando em um veleiro de 150`. Aliás é quase uma praxe as famílias com filhos mais crescidos perderem tripulantes para os Mega Iates.
* Paulo Afonso e a filha Marcela do AXÉ que curtiram umas férias pelo Caribe este ano. Era churrasco pra ninguém botar defeito e agora retornam ao Brasil deixando o veleiro em Trinidad fora da água.
* Dadi e Denise do JADE, um Trawler lindo que só falta mesmo é virar barco a vela, (brincadeiras a parte... hehehe) estão em La Cruz também.
* Marcelo e Marina do MARMAR. Acabam de comprar um Cabo Rico 38` em Antigua, ficaram um tempo pra ajeitar o veleiro em St. Maarten e só deu mesmo pra descer na correria.
“- JÉZUIS!! O último a sair apaga a luz!!”
É claro que esquecemos de alguns, pois parece que a turma perdeu a timidez e está chegando em revoadas cada vez maiores todos os anos.
Em 2005 contamos umas 5 ou 6 bandeiras brasileiras, em 2006 umas 10, em 2007 foram umas 20, este ano perdemos conta...
Ah sim! Quase nos esquecemos do Carioca 6 M.
Malandro, Mas Muito Malandro Merrmo Merrmão. O Flávio do veleiro ACCESS que chegou aqui de leme quebrado pois bateu em uma baleia a 700 milhas de lugar nenhum. Um troféu pra ele que construiu seu Mc28` no Rio e teve a coragem de enfrentar a subida da costa mais a travessia pro Caribe sem motor. E tem muita gente por ai com veleirão equipado que diz que vai sair mas não está nunca pronto. O Flávio ficou em Antigua e seguiu nossa fórmula de procurar um abrigo e traçar um plano de preparação.
Hoje dia 15 começa a temporada de furacões , mas não quer dizer que vai soprar 100 nós todos os dias... St Maarten, por exemplo não vê ventos com mais de 60 nós desde 1999 (Lenny força 3) e furacão destrutivo mesmo só em 1995 (Louis força 5).
Claro, temos tido sorte por aqui e nada impede de termos uma ou até várias tempestades tamanho família nesta área.
Ainda acreditamos que vale a pena ficar por aqui desde que se esteja por perto de um abrigo de primeira linha como os que citamos acima.
E NÓS NO BALEEIRO?
COMO SEMPRE CURTINDO AS ÁGUAS MAIS AZUIS DO QUE NUNCA DO VERÃO CARIBENHO, AS ANCORAGENS VAZIAS E O CALOR QUE DEMOROU A CHEGAR ESTE ANO.
Por exemplo quanto ao Aquecimento Global: O NOAA insiste em afirmar que o aumento da duração e a maior freqüência de tempestades de força 5 na escala Zafir/Simpson nada tem há ver com o Aquecimento Global. Ora, todos estamos vendo as mudanças drásticas que estão ocorrendo no planeta e mesmo que eles tentem mascarar o resultado de suas predições será difícil esconder os resultados destrutivos de furacões, degelos, enchentes etc...
Por outro lado, políticos usam os resultados desta imensa instituição que é o NOAA para rechaçar pesquisas e propostas alternativas para a utilização de energias menos destrutivas que causassem menos efeitos no equilíbrio do planeta. Será que tem ai um dedo do capital movido a petróleo? Ora amigos todos os anos nós vemos a “Marlboro” ativar o seu lobby e argumentar em tribunais, na mídia e nas câmaras legislativas de todos os países do mundo que tabaco não faz tanto mal assim. Porém quem vai conseguir esconder as centenas de milhões de pessoas adoecendo pelo hábito do fumo? São nossos vizinhos, familiares, concidadãos e por fim nós mesmos que sofremos. E seremos nós os afetados pelas mudanças climáticas causadas pela queima descontrolada de combustíveis fósseis.
Muito bem, agora me diga qual a nação do planeta que além de ter a sua economia calcada na queima desses combustíveis, mantém a sua liderança justamente por isso? Pois é! A mesma que banca o NOAA e suas pesquisas. É o mesmo que deixar a raposa cuidar do galinheiro.
Bem, nós no Veleiro BALEEIRO, aqui no Caribe passamos as temporadas bem embaixo da rota de furacões . As nossas razões para não descer para baixo do paralelo 11 graus norte são diversas. Principalmente pelo fator trabalho. E outros milhões de pessoas fazem o mesmo simplesmente por viverem por aqui.
Se nós usamos a previsão do NOAA?
Sim claro que usamos !!!
Para ter a credibilidade de passar esses relatórios de longo prazo eles tem que pelo menos acertar a curto prazo e nisso não há dúvida que eles são os melhores.
Imagine a situação: Um furacão se aproxima da costa da Flórida, o NOAA diz que o furacão vai passar longe, ato continuo ele destrói a Flórida e mata centenas de pessoas. No dia seguinte de manhã estão todos demitidos e sobre processo penal.
Para navegar por estas águas durante principalmente os meses de agosto setembro e outubro precisa-se muita cautela e estar sempre atento a previsão. A tática é nunca estar mais de 12 horas de um “Huricane Hole” (abrigo com condições especiais) . Melhor ainda há 30 minutos de distância. Alguns deles são na verdade excelentes, outros no entanto deixam a desejar. Por exemplo, La Paraquita em Tortola - BVI. É uma pequena lagoa circundada de manguezais e poucas edificações ao seu redor. Com certeza as ondas não entram, o vento sim, mas como há pouco o que voar nas redondezas o risco de ter uma “Jacuzzi” pousando no seu “cockpit” pode ser descartado. Seria só caso de amarrar o barco de proa para o mangue jogar várias ancoras de popa e esperar pelo melhor. As chances seriam muito boas de sair sem nem um arranhão. Seriam, se não fosse os outros 200 barcos que vão aparecer de última hora. Apenas um arrastando as âncoras, vai pôr o resto das ancoras em efeito dominó.
O Lagoon de St Maarten dependendo da intensidade dos ventos também não presta. Em 1995 o furacão “Louis” subiu ondas de 5 metros dentro da lagoa. 1500 embarcações destruídas. Pilhas de barcos por todos os lados.
Existem em torno de 10 vagas que são ótimas dentro do Lagoon. Fica em Mullet Pond. São perfeitas!! Água funda numa pequena lagoa de mangue. O problema é que quando o primeiro aviso sai vc já tem que estar lá.
Em Antigua as opções são várias e as ancoragens mais vazias. Temos em Culebra um dos melhores em Ensenada Honda, Marigot em St Lucia, o mangue de Point a Pitre em Guadalupe, Ensenada em Porto Rico, Luperon Na Rep. Domenicana. Estes são só alguns exemplos.
Quanto mais se anda durante a temporada de vela mais vc vai pesquisando. Nós, sempre que podemos visitamos os “Hurricane Holes” e fazemos sondagens com o dingue, um prumo e desenhamos pequeno esquete e um rascunho com as melhores árvores para amarrar, o tipo de fundo as profundidades etc...
Apesar de não sermos os únicos a ficarmos por aqui durante a temporada, somos certamente uma exceção. Dos mais de 20 barcos de bandeira brasileira que vimos passar por aqui durante o inverno (verão do Brasil) a maioria seguiu para a Venezuela. Dentre os que desceram este ano estão:
* O Marcelo e a Maura do GARDIAN (sim, eles venderam o Beethoven). Já a 4 anos pelo Caribe, agora de barco novo...
* Junia e Sid a bordo do Catamaran ORION. Estes optaram por Trinidad. Os dois estiveram vários anos por aqui a bordo do seu próprio veleiro o VÔO LIVRE e agora vivem no Orion, de um proprietário brasileiro, num misto de muito trabalho para manter este Lagoon 47` e de aproveitar o Caribe
* Rodrigo, Márcia e filhos no CAVALO MARINHO que estão em La Cruz depois de subirem bem devagar até as Ilhas Virgens Britânicas (BVI)
* Valdo e Cláudia do JASMIM que acabaram de comprar um Beneteau 50` pela Sunsail e depois de um cruzeiro rápido de fim de estação desceram também para La Cruz.
* Sérgio, Eillen e Lucas do GUIZZI que vieram de Floripa e chegaram por aqui em fevereiro estão neste momento a caminho de Trinidad. O outro filho – Paul, embarcou para Europa trabalhando em um veleiro de 150`. Aliás é quase uma praxe as famílias com filhos mais crescidos perderem tripulantes para os Mega Iates.
* Paulo Afonso e a filha Marcela do AXÉ que curtiram umas férias pelo Caribe este ano. Era churrasco pra ninguém botar defeito e agora retornam ao Brasil deixando o veleiro em Trinidad fora da água.
* Dadi e Denise do JADE, um Trawler lindo que só falta mesmo é virar barco a vela, (brincadeiras a parte... hehehe) estão em La Cruz também.
* Marcelo e Marina do MARMAR. Acabam de comprar um Cabo Rico 38` em Antigua, ficaram um tempo pra ajeitar o veleiro em St. Maarten e só deu mesmo pra descer na correria.
“- JÉZUIS!! O último a sair apaga a luz!!”
É claro que esquecemos de alguns, pois parece que a turma perdeu a timidez e está chegando em revoadas cada vez maiores todos os anos.
Em 2005 contamos umas 5 ou 6 bandeiras brasileiras, em 2006 umas 10, em 2007 foram umas 20, este ano perdemos conta...
Ah sim! Quase nos esquecemos do Carioca 6 M.
Malandro, Mas Muito Malandro Merrmo Merrmão. O Flávio do veleiro ACCESS que chegou aqui de leme quebrado pois bateu em uma baleia a 700 milhas de lugar nenhum. Um troféu pra ele que construiu seu Mc28` no Rio e teve a coragem de enfrentar a subida da costa mais a travessia pro Caribe sem motor. E tem muita gente por ai com veleirão equipado que diz que vai sair mas não está nunca pronto. O Flávio ficou em Antigua e seguiu nossa fórmula de procurar um abrigo e traçar um plano de preparação.
Hoje dia 15 começa a temporada de furacões , mas não quer dizer que vai soprar 100 nós todos os dias... St Maarten, por exemplo não vê ventos com mais de 60 nós desde 1999 (Lenny força 3) e furacão destrutivo mesmo só em 1995 (Louis força 5).
Claro, temos tido sorte por aqui e nada impede de termos uma ou até várias tempestades tamanho família nesta área.
Ainda acreditamos que vale a pena ficar por aqui desde que se esteja por perto de um abrigo de primeira linha como os que citamos acima.
E NÓS NO BALEEIRO?
COMO SEMPRE CURTINDO AS ÁGUAS MAIS AZUIS DO QUE NUNCA DO VERÃO CARIBENHO, AS ANCORAGENS VAZIAS E O CALOR QUE DEMOROU A CHEGAR ESTE ANO.
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